Mostrar mensagens com a etiqueta Friedrich Nietzsche. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Friedrich Nietzsche. Mostrar todas as mensagens

sábado, 3 de fevereiro de 2007

Friedrich Nietzsche


Biografia
Friedrich Nietzsche
1844-1900




Para muitos não passa de um filósofo racista e anti-democrático, mas para muitos outros um pensador genial que anuncia a filosofia do século XX, libertando o pensamento ocidental de falsas ideias e valores.
Nietzsche nasceu em 1844 em Rocken, uma pequena aldeia perto de Leipzig. Afirmava-se descendente de antigos nobres polacos. O seu pai, Karl Ludwig era pastor luterano. Em consequência do falecimento de seu pai, quando contava apenas 5 anos, a sua mãe foi obrigada a mudar-se para Naumburg. Aí Nietzsche passa a viver num ambiente familiar onde só existem mulheres: a sua mãe, a irmã, a avó e três tias.
Em Outubro de 1864 entra para a Universidade de Bona onde inicia os estudos superiores em filologia e teologia.Era intenção da sua mãe que seguisse a tradição familiar tornado-se padre, como haviam sido a maioria dos seus antepassados. As intenções de Nietzsche eram contudo outras. Não tarda em abandonar os estudos teológicos, concentrando-se na filologia.
No ano seguinte ingressa na Universidade de Liepzig, seguindo o seu professor de filologia Ritschl. Aqui entra em contacto com a filosofia de Schopenhaeur (1865) que o irá influenciar profundamente.

Em 1866, alista-se no exercito na guerra entre a Prussia e a Austria. Durante a instrução caí de um cavalo, ficando hospitalizado 5 meses.Apenas em 1868 retoma do seus estudos na Universidade de Leipzig. É neste ano que estabelece amizade com o compositor Richard Wagner (1813-1883).Nietzsche fica encantado com a sua música e as suas óperas, principalmente com "Tristão e Isolda" e "Os Mestres Cantores".
Em 1869, devido à influencia de Ritschl é nomeado professor ordinário de Filologia Clássica em Basileia. No ano seguinte, a Alemanha entra de novo em guerra, agora contra a França. Nietzsche alista-se no exército agora como enfermeiro, mas pouco depois adoece, contraindo difteria e desinteria.Esta doença provocam-lhe dores de estomago, e aumentam-lhe as dores de cabeça.
A sua carreira de professor de filologia foi marcada por um relativo fracasso, por duas razões: O que Nietzsche gostava era de filosofia e não de filologia, o que gerou frequentes incompreensões na comunidade de filólogos. A sua saúde não parava de piorar, tendo cada vez mais dificuldades em dar aulas, dado que a sua voz se tornara imperceptível aos alunos.
Desde a adolescencia que sofria de várias doenças, como miopia precoce, reumatismos, mas sobretudo de terríveis dores de cabeça cujas causas ainda são objecto de polémica. O acidente de 1866 e a doença contraída em 1870 agravaram a sua já débil saúde. A tudo isto se juntou uma outra terrível doença: uma paralesia progressiva, resultante de uma infecção siflítica que contraiu entre as prostitutas que frequentava.Teria sido esta a doença que levou às manifestações de paranóia e depois à loucura e morte (Nicola Abbagnano).
Devido à doença que sofria (paralesia progressiva) e a outras maleitas viu-se obrigado a abandonar o ensino (1879).
Graças a uma pensão que lhe foi dada pela cidade de Basileia, viu assegurada a sua subsistência, passando a dedicar-se inteiramente à reflexão e escrita filosófica. Vive então na Suíça, França, Itália e na Alemanha.
Os seus últimos dez anos de vida foram particularmente dramáticos. No começo de 1889 é-lhe diagnosticada a citada paralesia progressiva, perdendo a sanidade mental neste mesmo ano. Faleceu a 25 de Agosto de 1900.


Principais Obras
Origem da Tragédia no Espírito da Música (1872), Considerações Intempestivas (1873-1876), Humano, Demasiado Humano (1878), O Viajante e a sua Sombra ((1880), Aurora (1881), A Gaia Ciência (1882),Assim Falava Zaratusta (1883-1891), Para Além do Bem e do Mal (1886), Genealogia da Moral (1887), O Crepusculo dos Idolos , O Anticristo, Ecce Homo (1888), A Vontade de Poder (editada postumamente em 1906), etc.
"As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras."


"Todo coração em caos traz uma estrela cintilante ."


"Aqueles que compreendem alguma coisa em sua dimensão mais profunda, raramente permanecem fiéis a ela para sempre. Porque expuseram essas profundezas à clara luz do dia; e o que lá se encontra não é em geral agradável de ver."



"O maior inimigo da verdade, não é a mentira e sim, a convicção."


"A melhor cura para o amor é ainda aquele remédio eterno: amor retribuído."



"Qual é a marca da liberdade realizada? Não mais corar de si próprio."


"Opiniões públicas, ócio privado." ´


"Uma hipótese irrefutável - por que deveria por essa razão ser 'verdadeira'? " - Nietzsche
"Existe muita loucura no amor, mas também existe muita razão na loucura." - Nietzsche
"Uma mulher pode muito bem tornar-se amiga de um homem; mas para manter essa amizade - para isso é necessário talvez uma antipatia física."
- Nietzsche
"Você vive hoje uma vida que gostaria de viver por toda a eternidade?" - Nietzsche

domingo, 14 de janeiro de 2007

Ser Injusto é Necessário

Ser Injusto é Necessário
Todos os juízos acerca do valor da vida se desenvolveram ilogicamente e são, por isso, injustos. A impureza do juízo encontra-se, em primeiro lugar, na maneira como o material se apresenta, isto é, muito incompleto; em segundo lugar, na maneira como é efectuada a respectiva soma; e, em terceiro lugar, no facto de cada um dos fragmentos do material ser, por seu lado, resultado de um conhecimento impuro e isto, na verdade, de forma absolutamente necessária. Nenhum conhecimento obtido pela experiência acerca, por exemplo, de uma pessoa, por muito perto que esta esteja de nós, pode ser completo, de modo que nós tenhamos um direito lógico a uma avaliação global da mesma. Todas as estimativas são precipitadas e têm de o ser.
No fim de contas, a medida, com a qual nós medimos, ou seja, o nosso ser, não é uma grandeza invariável; nós temos estados de espírito e oscilações, e, não obstante, deveríamos conhecer-nos a nós próprios como uma medida fixa para podermos avaliar justamente a relação de qualquer coisa connosco. Talvez se conclua de tudo isto que não se deveria julgar de todo em todo; mas se se pudesse sequer viver sem avaliar, sem ter antipatia nem simpatia!... Pois toda a aversão está ligada a uma estimativa, tal qual como toda a inclinação. Uma tendência no sentido de qualquer coisa, ou para longe de qualquer coisa, sem um sentimento de que se quer o proveitoso e se evita o prejudicial, uma tendência sem uma espécie de estimativa diferenciadora quanto ao valor do objectivo não existe no ser humano. Nós somos de antemão seres ilógicos e, por isso, injustos, e podemos reconhecê-lo: esta é uma das maiores e mais insolúveis desarmonias da existência.

Friedrich Nietzsche, in 'Humano, Demasiado Humano'